quarta-feira, 12 de setembro de 2012

De Escola Normal Católica para Colégio Senador Alberto Pasqualini


         Prédio imponente construído em Hamburgo Velho, Novo Hamburgo, em estilo Art déco, com características do início do modernismo, mas com toques monumentais (influência da arquitetura da época). O arquiteto foi Christino de La Pax Gelbert, contratado por uma associação católica alemã. A execução ficou a cargo dos empreiteiros de mão de obra João B. Pastro e Antonio Lemosconforme atesta o projeto original.


         No início do século passado funcionava na área onde hoje está localizado o Colégio Estadual Senador Alberto Pasqualini a cervejaria de Maximiliano Fischel, que ofereceu à Sociedade União Popular as terras de sua propriedade, que totalizavam 11,23 hectares.
        
        


          
         Em 1929 surgiu a Escola Normal Católica, tendo como diretor, o professor Kurt Dudzig. As aulas eram dadas na própria ex-cervejaria. Mais tarde, quando já havia sido construído o novo prédio (parte frontal principal) existente até hoje, foi então derrubada a sede da ex-cervejaria, buscando espaço para a instalação de um adequado pátio escolar. Em 15 de dezembro de 1931 foi inaugurado o novo prédio. Tendo uma jornada de oito décadas desde sua criação.

            De 1933 a 1939 a direção da escola esteve a cargo do padre jesuíta Miguel Maier, porém em 25 de julho de 1939, data de comemoração da imigração alemã no Brasil, houve um incidente, que causou o encerramento das atividades da Escola. Um aluno fez um discurso enaltecendo o povo alemão, porém estava presente nessa ocasião o Dr. Coelho de Souza, então secretário da Educação do Estado, que se sentiu provocado e desafiado na sua campanha de Nacionalização, que significava o banimento da língua alemã. E o resultado disso foi o encerramento das atividades da Escola, prolongando-se durante todo o período da Segunda Guerra Mundial.
 

 Em 1939, algumas das personalidades e influências políticas da época, envolvidos diretamente no episodio do
discurso, dentre eles, da direita para a esquerda: Dr. Guilherme Becker, Sr. Guilherme Ludwig, Guilherme Leopoldo Vielitz,
prof. Kurt Walzer, Sr. Grün, bem a frente, com gravata borboleta e sobretudo, Albano Volkmer, atrás um garoto possivel
aluno, ao lado esquerdo o secretário de Educação Estadual Dr. Coelho de Souza e ao lado direito de Albano o Dr. Odon
Cavalcanti Carneiro Monteiro, prefeito de Novo Hamburgo (Identificação com auxilio da professora Wanda Therezinha de
Oliveira).
Fonte: acervo professor Kurt Walzer disponível em http://kurtwaltzer.eu5.org/fotos.html



        
         A fase atual da Escola começou em 1945 quando o Governo comprou da Sociedade União Popular o que pertencia a Escola Normal Católica de Hamburgo Velho. Tendo início assim a Escola Vocacional Agro-Industrial que era subordinada ao SESME (Serviço Social de Menores) recebendo órfãos, menores abandonados e adolescentes problemáticos. Por isto chamavam-na de Reformatório. Em 1960, tornou-se Ginásio Industrial Senador Alberto Pasqualini (GISAP), funcionava em turno integral e preparava adolescentes para a profissionalização. Além do ensino ginasial havia aulas práticas profissionalizantes, aos meninos oferecia: sapataria, mecânica, gráfica, fundição, marcenaria e para as meninas: culinária, corte e costura, puericultura, bordado, trabalhos manuais. Tornou-se, em 1975, escola de 2º grau, funcionando os cursos: técnico de decoração e desenhista mecânico, 1977, agrega o técnico em mecânica. No ano de 1982, foi autorizado o funcionamento da habilitação de Auxiliar de Escritório e a de técnico Musical. 

         A partir de 1981 chama-se Escola de 1º e 2º Graus Senador Alberto Pasqualini e em 2000, Colégio Estadual Senador Alberto Pasqualini. Referencias Suzana Vielitz de Oliveira.

         Em 23 de setembro de 2003 foi tombado pelo Patrimônio Cultural e Histórico do Estado do RS o prédio e a área pertencentes ao Colégio Estadual Senador Alberto Pasqualini, através do Projeto de Lei Nº 102/2003 do Deputado Paulo Azeredo.

2 comentários:

ROQUE DANILO BERSCH disse...

Preciosamente revelador, para quantos lidam com a história do ensino comunitário no Estado, o conteúdo acima exposto. Obrigado, de minha parte, e parabéns!

Arhtur Blásio Rambo (Ed. Unisinos, 94) e Lúcio Kreutz (Ed. Unisinos, 94) escrevem sobre as escolas paroquiais e sobre as origens da antiga Escola São Luiz, internato destinado à formação de professores para as escolas comunitárias católicas. Os livros-tombo das paróquias Santo Antônio, de Estrela, e N. S.do Perpétuo Socorro, de Arroio do Meio, corroboram e detalham as informações de ambos. Em "Ondas de Migrantes", "Dona Rita - uma escola muito comunitária" e "Cultura, sociedade e igrejas" (Bersch, R. D - org., Ed. Univates) estão reunidas essas informações sobre o início da Escola: Com um aporte financeiro da Associação de Professores Católicos, ela foi criada em 1923, em Estrela e, no mesmo ano, foi transferida a Arroio do Meio, onde funcionou até o ano de 1929 inclusive. Em 1930 ela foi repassada à Sociedade União Popular, que a transferiu na área recebida da família Fleischer, em Hamburgo Velho. De sua sede em Arroio do Meio, existe foto; também há informações (poucas) sobre o seu funcionamento nesse período inicial. Era muito tensa, nesse período, a relação entre o arcebispo porto-alegrense João Becker e os jesuítas que orientavam a escola a partir de Arroio do Meio. Estes lutavam por manter, ao lado da inculturação das colônias de origem alemã na nova pátria (língua, história, geografia, cidadania...), a manutenção dos traços culturais de origem, a fim de preservar essa população de uma derrocada cultural fatal, ao passo que a maioria do clero ligado diretamente ao arcebispo pregava o abandono imediato da língua, cultura, tradições, cantos etc. alemães.

O discurso "trágico" do aluno, na presença de Coelho de Souza, de fato existiu e que realmente se constituiu em uma reverência, não apenas ao secretário de Estado, senão também à Pátria Brasileira. Cabe mencionar, no entanto, as correspondências posteriores do diretor da Escola, padre Meyer, ao seu superior, na qual o religioso afirma categoricamente que lera antecipadamente e aprovara o texto a ser proferido, e recomendara ao aluno submetê-lo ao crivo de um professor, que garantisse a correção linguística; e que, na hora da saudação, ele, o diretor, fora surpreendido pela proclamação de um texto totalmente diverso do que tinha lido. Portanto, Meyer fora traído por um dentre os próprios professores da Escola, adepto da corrente do arcebispo Becker.

O resultado, este fica claro na matéria do blogue acima.

A mim, sobra-me a curiosidade de quem teria sido o aluno "usado" pelo professor (ou, menos provável, "cúmplice" do mesmo). Seria aquele da foto? Quem é este?

Roque Danilo Bersch
Professor universitário aposentado
Arroio do Meio, RS

ROQUE DANILO BERSCH disse...

Com um pedido de desculpas: No comentário anterior, onde escrevi "Fleischer" leia-se "Fischel"
Roque D. Bersch